segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A ENCHENTE - A NATUREZA

A ENCHENTE

Um  piano bóia.

Foram-se os sons afogados

no desvario das águas.

A cadeira de balanço passa

levada pela correnteza que,
imprudente, arrasta um cão.
Mais ali,
um álbum de fotografias
rodopia frenético,
fazendo par   a um  saco de lixo.
Tudo lixo!
Na corredeira passam
rápido
um livro, um oratório, uma  boneca,
uma garrafa
e a caixa de remédios.
Um colchão bóia:
Foram-se os sonhos
no pesadelo
de águas barrentas.
Bóia também um coração
anestesiado
sobre a pressão da água.
E a história?...
O homem   a vê partir
quase sem tempo
de olhar pra trás.
A história bóia.
O homem vê.
Vê águas imensas
e seus olhos boiam.
E  a criança,
alojada nos seus ombros,
vê uma ficção
e não entende
os olhos marejados
do homem,
no desalento do silêncio.


De Lina M.Lisbôa da Silva
 (Sobre a Enchente de jan/2000-Publicado no
Jornal O Sul de Minas – Itajubá MG

Nota do Autor da Postagem:
Independentemente de nossas posses, não devemos afastar a possibilidade de sermos afetados.

EFÊMERO ETERNO

     EFÊMERO ETERNO

Amor, estranho sentimento,
Discutida arma. Instrumento
Covarde para o torpe
Justificar ou matar.

Amor, que o sabemos só
Tarde, quando o falso é pó;
Só quando o grande esmorece
E a escuridão ficar.

Risca, num impulso forte,
Algo em folha de papel
Que, breve, é levado ao léu.

Natureza, que não esquece,
Resoluta, escreve em pedra
Que brilha em luz para o céu.

                                                Autor: José Lourenço de Queiroz
                                             (Inspirado no assassinato de Ângela Diniz em Búzios “por amor”)